A COPA E OS DONOS DA NAÇÃO!

 





Enquanto isso, na Sala de Justiça


Graça Salgueiro


Dizem que o futebol é uma paixão nacional e quando se trata de Copa do Mundo então, ninguém pensa em mais nada o país pára. Quer dizer, nem todos os setores, como veremos mais adiante


A Colômbia elegeu Iván Duque seu próximo presidente da República, um conservador do partido Centro Democrático fundado pelo ex-presidente e senador Álvaro Uribe, que o lançou candidato, acabando com as expectativas do comuno-terrorismo que, primeiro perdeu o candidato das FARC, Rodrigo Londoño Echeverry, vulgo Timochenko, e depois, na disputa, Gustavo Petro, "ex-terrorista" do M-19. Mas as eleições ocorreram no dia 17/06 e os brasileiros estavam de olho na Copa.


Na Nicarágua já se contabilizam 285 assassinatos promovidos por bandos armados (forças "combinadas" formadas por policiais, anti-motins, para-policiais e para-militares) do governo do terrorista Daniel Ortega, desde 18 de abril, quando a população iniciou manifestações contra um decreto que aumentava a contribuição previdenciária e pedia a renúncia de Ortega e sua mulher, Rosario Murillo que é a vice-presidente, dados obtidos até o dia 26/06 pela Associação Nicaragüense Pró-Direitos Humanos. Mas quem no Brasil se importa com a Nicarágua, se o Brasil está indo bem nos jogos, não é mesmo?


E quanto mais os jogos avançam e a seleção brasileira vai se dando bem, mais a alienação sobre o destino da nação - e não de um jogo - cresce. No último dia 26, a 2ª Turma do STF - ah, a Segunda Turma&hellip - decidiu anular a medida de busca e apreensão determinada por um juiz federal na casa do casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, ambos do PT, por considerá-la ilegal, uma vez que Gleisi tem prerrogativa de foro e para o ministro Lewandowski, isso é "inadmissível" no "estado democrático de direito". As buscas referiam-se a Paulo Bernardo que é alvo de investigações na Operação Custo Brasil. A decisão foi tomada pelos ministros Dias Toffoli, relator, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, trio que já ficou conhecido por trabalhar em favor da bandidagem. 


O único voto contrário foi do ministro Edson Fachin, que defendeu que o foro privilegiado não se estende às casas dos parlamentares. Disse ele: "Não acho que haja foro por prerrogativa de função a espaço físico".


E na mesma terça-feira 26, a mesma Segunda Turma do STF, aproveitando o desinteresse absoluto dos brasileiros pelo país, decidiu por maioria mandar soltar José Dirceu, preso da Operação Lava Jato, cuja condenação foi confirmada em 30 anos e 9 meses, após esgotar os recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.


Dias Toffoli, que trabalhou como advogado do PT e foi alçado ao cargo de ministro do STF sem nunca ter sequer sido aprovado para o cargo de juiz de primeira instância, teve a iniciativa como relator do caso e foi, evidentemente, acompanhado pela dupla Mendes-Lewandowski. Celso de Melo não estava presente à sessão e o ministro Fachin, como sempre, foi voto vencido e resolveu pedir vistas.


Toffoli entendeu que havia problema na dosimetria da pena, argumento usado pela defesa de Dirceu, e como o STF vai entrar em recesso ele sugeriu que lhe fosse dado um "habeas corpus de ofício" até que a corte retome suas atividades.


Mas o Brasil vai ser campeão, e nessas horas tudo no país é verde-amarelo e há bandeiras penduradas em todas as janelas, varandas, carros. Eita patriotada! E enquanto isso, na Sala de Justiça, os destinos do país vão sendo traçados ao gosto e ao modo estabelecido pelo Foro de São Paulo que não pretende comemorar uma possível vitória do Brasil na Copa, mas da impunidade de seus bandidos de estimação, e concretizar a volta de Lula eleito, inocentado de tudo.