O FORO DE SÃO PAULO ESTÁ VIVO E FORTE!

 

Não está morto quem ainda peleja


Graça Salgueiro


Tenho visto - com assombro - nos últimos tempos, pessoas dos mais diversos grupos alardearem "o fim do Foro de São Paulo" (FSP) sem qualquer fundamento que comprove tal afirmação. É verdade que de uns anos para cá essa organização sofreu algumas derrotas que foram bem apontadas no último encontro, ocorrido entre os dias 15 e 17 de julho em Havana, mas está longe o dia em que se decretará a falência total do grupo criminoso.


Na Declaração Final eles fazem uma auto-crítica, pontuando as falhas e erros estratégicos que proporcionaram um passo ao conservadorismo - ainda que insipiente - de alguns países onde antes eles possuíam o controle total. Porém, mesmo golpeados fortemente eles não desistem e traçam planos de ação que começaram a ser postos em prática poucos dias depois de terminado o evento.


Para o Brasil segue a cantilena do "Lula livre", com eventos que visam a pressão sobre sua candidatura presidencial - mesmo sabendo que, condenado em segunda instância ele já está inserido na lei de ficha limpa que impede tal propositura -, e planos de censura à livre expressão, sobretudo nas redes sociais.


Para Venezuela e Nicarágua um respaldo incondicional, não ao povo sofrido e massacrado, mas aos criminosos ditadores Nicolás Maduro e Daniel Ortega. A respeito deste último, cujos assassinatos já alcança a assombrosa cifra de mais de 400 pessoas indefesas e desarmadas, os delinqüentes reunidos declararam que quem está promovendo o massacre e a desordem não é o governo ditatorial mas os Estados Unidos!


E eles prosseguem com a ofensiva declarada de "reverter (&hellip) a vitória de figuras da direita conservadoras ou ultra-conservadoras no Chile, Paraguai e Colômbia". Tão logo a declaração foi tornada pública a perseguição ao ex-presidente Álvaro Uribe começou. Uribe era objetivo militar das FARC, ELN e FSP desde antes de sua primeira candidatura à presidência da República e agora, como seu partido Centro Democrático saiu vitorioso nas eleições presidenciais, eles voltaram a processar o ex-presidente com a alegação de seus "nexos" com o para-militarismo. Para tal, o senador comunista e defensor das FARC, Iván Cepeda, pagou a um condenado para que fizesse declarações falsas nesse sentido, e o visitou nada menos que 21 vezes na penitenciária La Picota onde se encontra recolhido. Os advogados de Uribe entraram com uma petição para provar a fraude dessa testemunha e o magistrado da sala penal da Corte Suprema de Justiça, em vez de acolher essa petição, acatou a denúncia de Cepeda e agora pede a prisão de Uribe. 


Na segunda-feira 23 de julho a estudante de recifense, Raynéia Gabrielle Lima, que cursava o sexto ano de medicina na Universidad Americana da Nicarágua, foi vítima de disparos de arma de fogo quando voltava para casa após seu plantão no Hospital Carlos Roberto Huembes, em Manágua, e faleceu pouco depois de ser socorrida. Raynéia não participava das manifestações nem se envolvia com a política do país, mas acabou sendo mais uma vítima da criminalidade institucional do casal de terroristas que, com o apoio irrestrito do FSP, não se importa de banhar o país de sangue inocente, contato que permaneça indefinidamente no poder.


O Itamaraty pediu "explicações" à embaixadora da Nicarágua no Brasil e chamou seu embaixador naquele país para consultas e isso foi tudo. O governo do estado de Pernambuco foi quem se prontificou a providenciar e pagar o traslado do corpo da estudante, pois do governo federal nada houve além desses falatórios protocolares. A imprensa não chorou nem "exigiu" providências ao governo ditatorial da Nicarágua, tampouco feministas ou "defensores dos direitos humanos" promoveram passeatas ou protestos, como se viu até a exaustão no caso da vereadora comunista Mariele Franco.


Ninguém ousa denunciar esse assassinato como obra do FSP, engendro do PT e do Partido Comunista Cubano, nem mesmo os pré-candidatos à eleição presidencial que antes alardeavam nas tribunas da Câmara e Senado que tais ou quais coisas eram "obra do Foro". E é por omissões como essa que esse "defunto" continua bem vivo e atuante, ao contrário do falatório néscio dos palpiteiros de plantão, da mídia e dos políticos que só estão preocupados em ganhar eleições para continuar mamando nas tetas gordas do Estado.


 

* Artigo escrito originalmente para o Jornal Inconfidência de Minas Gerais.