O CRACO RESISTE: SOBRE POLÍTICAS ANTI-DROGAS
 

 

 

A Terra do Crack

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

O termo cracolândia significa terra do Crack. O Crack é uma droga de alta toxicidade e viciosidade que gera alterações bio-psíquicas - alterações no corpo e na mente, muitas vezes irreversíveis. Na maioria das vezes o viciado em crack só cessa o seu vício quando se depara com a morte, ou morre.

No domingo, 21 de maio de 2017, a prefeitura e o governo de São Paulo realizaram uma ação policial e médica na cracolândia, região central da cidade, com o objetivo de prender traficantes e internar dependente que resultou nessa quarta-feira, 24 de maio de 2017, em uma série de manifestações e protestos contrários à ação policial e médica, considerando tal ação uma violação aos direitos dos habitantes da cracolândia. E um dos motivos dos manifestantes e dos protestos era lutar contra a desocupação da cracolândia, a terra do crack. 

Eles negam a existência de fortes traficantes de drogas e a morte de dependentes químicos pelo consumo de crack, negando a natureza destrutiva das drogas.  As drogas são toxinas destrutivas que geram dependência bio-psíquica e afetam não só os seus usuários, mas também todo a sociedade.

As drogas não são apenas substâncias ilícitas que foram determinados como ilegais pela lei, as drogas são antes substâncias tóxicas que destroem o indivíduo consumidor e os seus vínculos pessoas e familiares. A droga não só ataca o indivíduo também age como um ácido que corrói o tecido social, enquanto o usuário vai cavando a própria cova ele leva com ou sem intenção todos aqueles que estão ao seu redor.

Essa concepção de que o problema da cracolândia, não está no crack, no tráfico e na dependência mortal, foi posta em prática como política pública através do programa braços abertos criado pelo ícone da esquerda universitária e ex-prefeito Fernando Haddad de São de Paulo, prefeito de 2013-2016. O objetivo desse programa era implementar a política de redução de danos que busca reduzir o uso da droga com a participação ativa e produtiva do dependente químico na sociedade que com o passar do tempo iria voluntariamente diminuir ou administrar o uso da droga. E para isto o programa oferecia três refeições diárias, moradia em hotéis para que o dependente químico consuma sua droga e além disso essas moradias não eram distantes uma das outras pelo contrário, eram próximas permitindo a formação de uma comunidade – uma verdadeira política de fomento à terra do crack.

Somente um sujeito sem sensibilidade ou que nunca conheceu uma pessoa que deve sua vida dilacerada pelas drogas pode achar que o viciado por uma substância destrutiva vai conseguir levar uma vida social plena sem ter que antes resolver o seu problema com as drogas. É somente com o tratamento do vício que se apresenta a possibilidade de uma participação ativa e produtiva na sociedade. A droga é a raiz do problema na vida de um dependente químico. É fato que vários caminhos, motivos e carências podem levar as pessoas ao uso de drogas, mas no momento que a droga passou a ser uma necessidade na vida de uma pessoa, o principal problema dela passa a ser a própria droga.

A cracolândia, é tratada como um patrimônio cultural que deve ser preservado devido sua importância para as gerações presentes e para a posteridade. Na terra do crack está contido costumes e hábitos que configuram uma tradição que deve ser preservada, ensinada e transmitida ao longo das gerações. A prática de se drogar, a drogadição, foi elevada pelos cientistas sociais, etnólogos, manifestantes e formuladores de políticas públicas ao status de refinamento humano, cultura. Por isto que os manifestantes protestam contra a desapropriação da cracolândia, já que para os manifestantes os traficantes e dependentes químicos são os legítimos proprietários da região.

Está é a concepção de cracolândia da Craco Resiste que é uma organização não governamental formada por volta de dezembro de 2016 que opera suas ações mobilizando a população pela internet com o fim de abolir a intervenção policial e médica na cracolândia. No lugar de ações médicas e policiais essa ONG promove atividades culturais e artísticas.

Esses manifestantes marcham para defender a morte e não para ajudar aqueles que estão no fim do poço. Eles lutam para que aqueles que estão no fundo do poço cavem mais fundo suas próprias covas.

Nessa quarta-feira, 24 de maio de 2017, cerca de 60 manifestantes ocuparam e ainda hoje ocupam a secretaria municipal de direitos humanos em defesa da cracolândia exigindo a desocupação da terra do crack pelas autoridades públicas. E tal ocupação foi permitida pela própria secretária municipal de direitos humanos, Patrícia Bezerra, que realizou uma reunião com uma parcela desses invasores auto-intitulados representantes da sociedade civil.

No discurso feito pela atual ex-secretária municipal de direitos humanos, Patrícia Bezerra, que deixou o cargo por vontade própria no dia 24 de maio de 2017, dia da ocupação da secretaria, caracterizou a ação policial e médica na cracolândia como desastrosa.  “Agora a besteira já está feita” e ela se posiciona “se for um dia para optar por um lado, governo ou minoria, nós temos o nosso lado já escolhido”. Ou seja, o lado da cracolândia. E para não ficar mal perante a militância esquerdista ela declara sua saída da secretaria municipal de direitos humanos: “a minha cadeira está a disposição de quem quiser sentar nela. O que me preocupa na iminência de eu ser tirada dessa Secretaria é quem vai sentar nessa cadeira com o mesmo encargo que eu sento nela hoje.”

Nossos formuladores de políticas públicas, intelectuais, movimentos sociais, ONGs e líderes políticos nutrem uma concepção relativista que corrobora com o politicamente correto. Tal concepção afirma que é errado ordenar a cultura a partir da separação entre civilidade e barbárie, sendo errado expressar julgamento sobre modos de vida, estilos e vícios. Para eles não existe o valor da cultura superior, a civilização, por isto mesmo são incapazes de transmitir valores para aqueles que estão no subsolo social - a miséria moral e material são formas de expressões culturais que devem ser preservadas e consideradas iguais às demais culturas.  Não existe senso de civilidade, baixa ou alta cultura, estamos todos no mesmo patamar.

A drogadição, o ato de usar drogras, para estes ilustrados e militantes esquerdistas é um hábito ou modo de viver digno. Tal visão de mundo tornou os obstáculos do subsolo social intransponíveis - reforçando a miséria material e moral daqueles cujo o valor da vida está reduzido ao cachimbo de crack. Inculcou nos próprios dependentes químicos que o seu vício não é uma doença mortal, mas um modo de vida que por mais violento, grosseiro e mortal que ele seja, deve ser respeitado e protegido contra a intervenção das forças policiais e médicas.

A perda do rigor civilizatório da cultura levou consigo não só a postura de crítica e reprovação, mas também a misericórdia. Porque quem não possuí critério não tem motivo para se preocupar. Em suma como canta o réquiem da civilização: “Tudo é igual, nada é melhor”.

Fontes

Tango que popularizou a expressão “tudo é igual, nada é melhor”
https://www.letras.mus.br/carlos-gardel/406210/traducao.html

Cracolândia
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/grupo-ocupa-secretaria-de-direitos-humanos-em-protesto-contra-acoes-na-cracolandia.ghtml

http://noticias.r7.com/sao-paulo/movimentos-sociais-ocupam-parte-da-sede-da-secretaria-municipal-de-direitos-humanos-em-sao-paulo-24052017

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/05/24/secretaria-de-direitos-humanos-de-doria-classifica-acao-na-cracolandia-como-desastrosa/

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-05-24/cracolandia.html

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1886815-operacao-na-cracolandia-foi-selvageria-sem-paralelo-diz-promotor-da-saude.shtml

Facebook da Craco Resiste
https://www.facebook.com/ACracoResiste/

http://vaidape.com.br/2017/02/existe-um-programa-para-cracolandia-que-nao-e-so-de-governo-ou-partidario-e-economico/

Vídeo com o discurso da ex-secretária Municipal de Direitos Humanos (Patrícia Bezerra)
https://www.youtube.com/watch?v=KW4qZ2j5Mcw&ampampfeature=youtu.be

Livros

BORK, Robert H. Slouching Towards Gomorrah: Modern Liberalism and American Decline, Reagan Books, HarperCollins. (2003).

DE PAOLA Heitor, O Eixo do Mal Latino-americana e a Nova Ordem Mundial, Observatório Latino, 2016. Ler o Apêndice IV A Contribuição Não Marxista para a Destruição da Civilização Ocidental.

Programa de Rádio Outro Lado da Notícia de Heitor De Paola (21/10/2016)
https://soundcloud.com/rvox_org/heitor-de-paola-as-drogas-e-a-terceira-guerra-mundial-21102016