BERLIM NÃO TEM PLANO ANTITERROR ORGANIZADO
 

 


Berlim precisa de um plano antiterror

Por Markus Decker

BERLINER ZEITUNG

29 de maio de 2017

 Passaram-se já 13 anos desde que o ex-ministro Otto Schily conseguiu implantar um plano comum de defesa contra ataques terroristas no centro e no interior da Alemanha. Essa foi a reação dos sociaisdemocratas contra o ataque de 11 de setembro de 2001. Desde 2004 cerca de 40 órgãos de segurança trabalham juntos na cidade de Berlim.

Esses órgãos trocam entre si informações a respeito de ameaças. Inclusive Ani Amri, executor do ataque terrorista usando um caminhão em  Breitscheidplatz [1], foi diversas vezes tema dessas repartições. Lá eles realizam análises críticas a todo o momento e como realizar alguns procedimentos, mas pelo visto não são sempre bem sucedidos quanto parecem.

O que está sendo agora planejado em Berlim possui outro objetivo. A coalisão  Vermelho-Vermelho-Verde [2] quer encontrar uma maneira de tomar providências, caso ocorra um ataque terrorista e ao mesmo tempo reforçar a prevenção. Isso é bom, pois ataques terroristas não se restringem a apenas um lugar como Breitscheidplatz. Eles podem ser cometidos também em mais pontos e ao mesmo tempo, como ocorreram em Paris e Bruxelas.

Ataque islâmico provavelmente atinja metrópoles

Ataques a lugares críticos da infraestrutura do país, como o abastecimento de água, é algo também concebível. O combate aos terroristas exige que se chegue a um acordo. É de se preocupar também que nas cadeias, o número de criminosos habituais está aumentando, mas também o de islâmicos. De uma maneira ou de outra, Berlim é um lugar que está em foco. 

Muitos islâmicos vivem por aqui e a preocupação com atentados terroristas tem aumentado cada vez mais em qualquer lugar da Alemanha. Os mais brutais ataques terroristas ocorreram em grandes metrópoles como: Nova York, Washington, Londres, Madri, Paris, Bruxelas e Berlim.
Esse fato não só foi falado, mas publicado no início do ano pelo ministro do interior Thomas de Mazière.

Não pode haver tabus

O político da União Democrática Cristã, o partido de Ângela Merkel CDU gostaria de deixar o Centro Comum de Defesa Antiterror em Berlim-Treptow e centralizar nele as forças de segurança. Ele também se preocupa em relação ao comando do controle central, para que casos como o de Anis Amri, não se repitam e tentar evitar algo como “muitas pessoas com responsabilidades e no fim acaba que ninguém tem a real competência”.

Se o avanço de De Mazière se tornasse realidade, o federalismo seria minado. No entanto, há razões plausíveis para discutir tal assunto com calma. Não devem existir tabus.

[1] Praça localizada em Berlim .
[2] Coalizão entre os partidos Verde,SPD e Die Linke.



Tradução: Márcio Alexandre