ÁUSTRIA: BOLSONARO É O TRUMP BRASILEIRO
 

 



Áustria – "Trump brasileiro" quer se tornar presidente.

Por ORF.AT

Österreichischer Rundfunk

28 de agosto de 2017

Quando as eleições presidenciais no Brasil ocorrerem no ano que vem, é provável que entre em cena o deputado ultraconservador do Partido Social Cristão, Jair Bolsonaro, uma figura polêmica da política brasileira. Apesar do seu nu e cru discurso de ódio e simpatia pelo regime militar, as primeiras pesquisas eleitorais, apontam-no com chances reais.

 
Sexismo, racismo, homofobia, apoio à tortura, pena de morte e ditadura militar. A lista de controvérsias, as quais Bolsonaro, nesse período de 29 anos de envolvimento na política, quase não tem fim.

O ex-páraquedista do Exército Brasileiro está cada vez mais preocupado com os escândalos nacionais, os quais também chamam a atenção no exterior. Em 2014, no site Intercept, o jornalista americano Glenn Greenwald, classificou Bolsonaro como o maior inimigo das mulheres e o elegeu o maior semeador de ódio do mundo democrático.

"Ditadura gloriosa" e elogio a torturadores

Bolsonaro é mais conhecido pela mídia brasileira como "O Trump Brasileiro", sobretudo ao se apresentar como uma cópia heliográfica da ascensão inesperada do presidente americano. Em certos aspectos, ele se demonstra como um conservador de direita, e sem rodeios, como o presidente americano.
 

Ele se declara abertamente como apoiador do regime militar brasileiro, que durou de 1964 até 1985, e o definiu como glorioso. Ele ridiculariza vítimas da ditadura, com uma placa na porta de seu escritório, na qual está escrito: "APENAS CACHORROS PROCURAM POR OSSOS". Bolsonaro, um político linha dura e de pulso firme, se declarou a favor da tortura de criminosos e da pena de morte, além de criticar o regime militar chileno, afirmando que Augusto Pinochet matou pouco.

Estupro não merecido

Sexista, racista e especialmente declarações homofóbicas marcam Bolsonaro na política. Na última vez, Bolsonaro esteve envolvido em uma confusão com a deputada de esquerda, Maria do Rosário e ficou na mira da Justiça, por dizer a ela que "por ser feia demais, não mereceria ser estuprada", em um caloroso discurso realizado para a deputada no Congresso, em 2014.

Devido à ofensa, Bolsonaro foi condenado, na semana passada, a pagar R$ 10.000 de indenização, aproximadamente € 2670. A sentença deu o que falar, pois Bolsonaro atacou a política já em 2003. Naquela época, ele impeliu Maria do Rosário em um corredor no Congresso Nacional cheio de jornalistas e a chamou de cadela.

Prefiro um filho morto a ser homossexual

O que chama a atenção, em especial, é a marcante homofobia de Bolsonaro.Ele não só apenas se declara contra o direito à adoção e o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas assusta também, pela sua retórica brutal.

Para a revista Playboy do Brasil, ele disse, dentre outras coisas, que preferiria que seu filho morresse num acidente, do que vivesse como um homossexual. Em outra declaração, Bolsonaro se mostrou convencido de que poderia "exorcizar" a homossexualidade das crianças, à base do porrete ou de uma surra. "Se uma criança manifestar algum comportamento homossexual, pegue o cinto que o comportamento muda", afirmou ele.

No mesmo entalhe, Bolsonaro esteve envolvido em um caso de insultos racistas. Em 2011, ele foi questionado a respeito da cantora Preta Gil e o que ele faria se um dos seus filhos se apaixonasse por uma mulher negra. Sua resposta foi de que "ele não discutiria promiscuidades, que seus filhos foram muito bem educados e que um caso desses não aconteceria". Por causa dessas declarações, ele foi condenado a pagar uma indenização de R$ 150.000 por ofensas, algo em torno de € 41.000. Povos indígenas foram chamados por ele de preguiçosos e incultos.
Mais votos e fãs

Poucos se surpreendem com o crescimento do político, por essas e outras declarações, sempre visando a Justiça, ONGs e adversários políticos. Apesar das controvérsias, Bolsonaro aproveita com seu discurso duro, aumentar a sua popularidade numa parcela da população. Nas eleições de 2014, ele ganhou mais votos do que qualquer outro político no país. Fazendo um paralelo entre Bolsonaro e Trump, ambos são altamente ativos nas redes sociais. No Facebook, Bolsonaro possui 4,5 milhões de fãs, muito mais do que todos os seus concorrentes.

Ainda é cedo para fazer previsões, afinal, a “batalha” eleitoral ainda está proibida e as candidaturas também não foram oficializadas, apesar de já existirem, as primeiras pesquisas eleitorais. Nelas, Bolsonaro está em 3° lugar, atrás do ex-presidente Lula da Silva e da política defensora do Meio Ambiente, Marina Silva. Nesse meio tempo, Lula da Silva foi condenado em primeira instância, a 9 anos e meio de prisão, devido a acusações de corrupção bilionária na empresa petrolífera estatal, Petrobras, durante investigações da Operação Lava-Jato. Caso ocorra sua condenação definitiva, ele não poderia participar das eleições no ano de 2018.

"Escândalo da Lava Jato pode ser um trunfo para Bolsonaro"

O escândalo de corrupção não apenas afundou o Brasil na maior crise política das últimas décadas, mas possibilitou Bolsonaro usá-lo a seu favor. Ele é um dos poucos políticos que não tem envolvimento no escândalo investigado pela Lava Jato.

Investigações estão ocorrendo nesse momento, contra a ex-presidente Dilma Rousseff. O atual presidente Michel Temer conseguiu se livrar das acusações de corrupção, que poderiam desencadear o seu “impeachment”.
Bolsonaro seria incriminado, caso tivesse de custear suas viagens de campanha política, sem prestar contas ao Congresso.

A associação de corrupção, estagnação econômica e o envolvimento de políticos em escândalos, aprofundaram a desconfiança da população em relação à política. Cerca de 94% dos eleitores da América Latina, não se sentem bem representados pelos partidos políticos, em pesquisa publicada pelo jornal O Estado de São Paulo. Apenas metade dos eleitores acredita que a democracia é a melhor forma de governo.

Tradução: Márcio Alexandre