NOVAS ANOTAÇÕES PARA O ESTUDO DO HOMEM:O HOMEM E A NATURESA
 

 

O homem é o bom pastor

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

No ecologismo o planeta é um ente sagrado, Mãe-terra, e todos os seres são os seus filhos. E o Ocidente é um filho revoltado que se colocou acima da própria Mãe, e deve se submeter às normas da Mãe-Terra como os animais e plantas. No ecologismo existe uma igualdade substancial entre homens, animais e plantas. E as diferenças são apenas circunstanciais, gradativas e secundárias. Está é a visão de mundo vegana.

A obra, Cidade de  Deus  (412 - 427),   de  Santo  Agostinho (354 - 430)  apresenta o problema gerado pela confusão ou ausência de distinção entre homem, animais e plantas. E como muitas pessoas erram ao conceder atributos intrínsecos do ser humano à fauna e à flora. É um erro antropomorfizar os animais e o meio ambiente. 

Livro I, Capítulo XX, da Cidade de Deus.
“Arredemos, pois, estes devaneios e quando lermos Não matarás não incluamos nesta proibição as  plantas  que  carecem  de  sensibilidade, nem os animais irracionais, tais como as aves, os peixes, os quadrúpedes,  os  répteis,  diferentes  de  nós  na  razão  pois que a eles não foi concedido participar dela conosco.  Por justa disposição do Criador, a sua vida e a sua morte estão ao nosso serviço.  Só nos resta concluir que temos de aplicar apenas  ao  homem  as  palavras  não  matarás  — nem  a outro nem a  ti próprio matarás pois quem a si próprio se mata, mata um homem. [AGOSTINHO, 1996, vol.1, p.158]

É importante quando ler o sexto mandamento, “Não Matarás”, do decálogo.  [Êxodo 20:3­17 ou Deuteronômio 5:7­21]. Não criar uma fantasia deturpada e incluir dentro do Não matarás, os animais e plantas. O “Não matarás” se restringe aos seres humanos, e não cabe mais nenhum outro ser dentro desse mandamento. O Não matarás é Lei e Dever do homem para com o homem, e não Lei e Dever do homem para com os animais.  

Os dez mandamentos são a revelação de Deus para a humanidade, e significa o desvelar da verdadeira Lei – o descobrimento do sacro segredo da Ordem boa e justa. Os segredos de Deus foram revelados aos profetas que são seres humanos, e não para os animais. Somente o ser humano foi feito à imagem e semelhança de Deus. E os demais seres, os animais e plantas, foram feitos para servir ao homem, nunca o inverso. E Santo Agostinho enfatiza a superioridade natural do homem em relação aos demais seres mundanos - o homem deve estar no topo da Ordem natural.
 

Livro XIX, Capítulo XV, da Cidade de Deus
“O que a ordem natural prescreve é isto, pois foi assim que Deus criou o homem: Domínio sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os répteis que rastejam sobre a terra (Gén, I. 26). Não quis que ele, ser racional feito à sua imagem, dominasse senão sobre os irracionais – e não que o homem sobre o homem, mas o homem sobre o animal. Por isso é que os primeiros justos foram instituídos mais como pastores de gado do que como reis de homens.” [AGOSTINHO, 2000, vol.3, p.1923]

O homem é o pastor, nenhuma ideia expressa melhor a importância do homem para o meio ambiente. O Pastor é o guia que ordena o caos selvagens, forma os rebanhos e os dirige para o bom caminho, guardando o rebanho contra os perigos. O pastor é o guia e guardião da natureza.  Somente o homem pode guardar e guiar o meio ambiente, e não o inverso.

O homem é o único ser produtor de cultura, e o termo cultura significa cultivar e cuidar. Só o homem pode tornar a terra fértil – um campo só é produtivo com cultura. É ele que ara o solo, retira as ervas daninhas e tudo que torna a terra infértil, preparando o solo para receber as sementes, e depois cultivar os brotos até darem frutos.    

A cultura pertence ao mundo que foi construído pelo homem, não se encontra na fauna e flora obras equivalentes.  O ser humano é o sal da terra - “Vós sois o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, com o que se há de temperar?” [Mateus 5:13]. O mundo sem o homem é insosso, sem sabor, é o ser humano o único ser que confere à insossa materialidade mundana, sabor e tempero – o mundo foi feito para o homem, e não o inverso.

O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, os demais seres foram criados para servir ao homem, não o inverso.

Comer ou não comer carne, não é um problema. Mas fazer do ato de não comer carne uma demonstração de superioridade, é rebaixar nossa humanidade.

Fontes:

AGOTINHO Santo, A cidade de Deus, Vol. I, 1996, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

AGOTINHO Santo, A cidade de Deus, Vol. III, 2000, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

SANAHUJA, Juan Claudio, El desarrollo sustentable: La nueva ética internacional, Ed. Vórtice, Buenos Aires, 2003