NOTAS SOBRE O CONSERVADORISMO
 

 

Notas sobre o conservadorismo. Os partidários da Ordem não são o establishment

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

Os conservadores são pessoas preocupadas com: a desestruturação familiar a perda da autoridade dos símbolos tradicionais a falta de coesão social o enfraquecimento dos vínculos o suicídio cultural promovido pelo multiculturalismo a promoção dos modos de vida excêntricos tolerância ao banditismo, à libertinagem etc. Esses fenômenos são patologias que perturbam a Ordem.

A postura conservadora não se caracteriza pelo imobilismo ou defesa do status quo, mas pela autodefesa física e intelectual dos valores nucleares constitutivos da Ordem – Deus, Pátria, Família e Propriedade. Os conservadores são os partidários da Ordem, não do establishment.

Os conservadores fazem sua aposta política numa personalidade, grupo ou programa quando reconhecem a necessidade de mudanças radicais, ou seja, mudanças que desenraizem as raízes de um estado de coisas, ideias e pessoas que promovem a anomia, o establishment. Para o conservador a mudança deve aperfeiçoar e ajustar as relações humanas, sem romper ou convulsionar o convívio. No conservadorismo o progresso é resultado do desenvolvimento da Ordem.

O establishment não se reduz ao estamento político (stricto sensu), ele também compreende os aparelhos ideológicos, associações internacionais, movimentos sociais, empresários, banqueiros, militares, intelectuais, celebridades e aqueles que estão no andar debaixo, mas que corroboram para legitimar, conservar e reforçar o status quo negativo. O establishment monopoliza os meios de ação – armas, riqueza e informação. O conservador busca fortalecer a Ordem e não o establishment.

O conservador sabe distinguir: o salutar do patológico o natural do artificial o mecânico do orgânico a normalidade da anomia. Por isto, é essencial defender a ordem salutar, a normalidade, e combater as forças que exercem influência patológica sobre a psique humana acarretando graves consequências sociais – a anomia.

A anomia é a condição crítica onde a exceção – o anormal e patológico – se torna a regra, o establishmment. Imperando a impunidade e promoção dos vícios, delinquência, crimes e corrupção. Nesta condição as normas salutares não exercem mais coerção moral, ou seja, pressão psicológica sobre os indivíduos, deixando as forças patológicas agirem livremente, a tal ponto de não ser mais possível separar o normal do patológico.

Nos termos de Émile Durkheim (1858-1917).  “Com efeito, se o crime é uma doença, a pena é seu remédio e não pode ser concebida de outro modo.” [DURKHEIM, 2007, p.73].  “A dor é um fato normal, contanto que não seja apreciada, o crime é normal, contanto que seja odiado. ” [DURKHEIM, 2007, p. XIII]

FONTES:

DURKHEIM, Émile, As Regras do método sociológico, 3ª ed. Martins Fontes, São Paul, 2007

ENGELS, Friedrich, A Origem da família, da propriedade privada e do Estado, 3.ed. São Paulo, Expressão Popular, 2012.                                                                                                                                                                    

ENDARA, Júlio, José Ingenieros y el provenir de la Filosofia, 2 ed. ,Agencia General de Libreria, Buenos Aires, 1922

HAYEK, Friedrich August Von, Direito. Legislação e Liberdade, São Paulo, Ed. Visão, 1985

LOBACZEWSKI Andrew, Ponerologia: Psicopatas no Poder, São Paulo, Vide Editorial, 2014.

SCRUTON Roger, O que é Conservadorismo, São Paulo, É Realizações, 2015.

VIANNA, Oliveira, Problemas de organização e problemas de direção, 2 ed., Rio de Janeiro, Record, 1974