DITADURA VENEZUELANA NEM CHAMA MAIS ATENÇÃO!
 

 

Os crimes da ditadura venezuelana já não comovem mais ninguém…


Graça Salgueiro


“Maldito o soldado que empunha uma arma contra o próprio irmão!”

Simón Bolívar


No dia 15 de janeiro a ditadura venezuelana cometeu um dos mais covardes e sanguinários crimes de toda a sua história, desde que o socialismo se instalou com a ascensão de Hugo Chávez em 1998. Considerado o inimigo número 1 do ditador Nicolás Maduro, o capitão Óscar Pérez e mais seis companheiros foram brutalmente assassinados quando negociava com a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) sua rendição.


O capitão Pérez, piloto e comandante de uma unidade da CICPC (Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas), com um brilhante currículo, tornou-se mundialmente conhecido quando em 27 de junho de 2017 pegou um helicóptero da instituição onde servia e com uma faixa onde se lia �” (que é o artigo da Constituição que autoriza a “desobediência civil”) fez um vôo por Caracas. Na ocasião ele teria aproveitado uma falha na segurança para cometer este ato que foi prontamente classificado como heróico pelo povo e terrorista pela Nomenklatura.


Desde então ele vivia na clandestinidade junto com outros companheiros, onde gravava vídeos estimulando a resistência pacífica. Dias antes do ataque ele havia dado uma entrevista à CNN em Espanhol comentando seus objetivos e planos que, mais tarde, foi usado pela ditadura como a forma de descobrir seu paradeiro, provando-se depois ser mais uma mentira, pois eles foram traídos por um infiltrado que delatou o local exato onde o grupo se encontrava.


A ditadura afirmou que havia dado “ordens de captura do bando terrorista”, entretanto, que necessidade havia de enviar tanques blindados, ambulâncias, mais de 1.000 efetivos da Polícia, bandidos do “Coletivo Tres Raíces”, carros da Medicina Forense, um lança-míssil e jornalistas do canal de televisão estatal para filmar a “captura”? O mundo inteiro acompanhou os momentos dramáticos vividos pelas 10 pessoas que ocupavam uma casa humilde praticamente no meio do nada, dentre eles mulheres e crianças, pois Óscar Pérez atualizava tudo através de vídeos que publicava em sua conta no Twitter que mais tarde poderão ser usados como prova do crime de lesa-humanidade cometido por Nicolás Maduro.


No último vídeo produzido Pérez ele grita: “não atirem, estamos nos rendendo!”, enquanto ouvem-se disparos vindos de fora, dos “negociadores”. Na seqüência, lançam um míssil em direção à casa que se transforma numa nuvem de poeira. Depois de mortos pela explosão, os combatentes ainda receberam disparos na cabeça [2º vídeo], conforme consta do atestado de óbito.


Logo os corpos foram levados ao necrotério de Bello Monte onde foram necropsiados, mas os familiares só tiveram direito de fazer a identificação depois que a deputada opositora Delza Solórzano acompanhou os parentes das vítimas com um advogado que exigiu que se cumprissem os trâmites legais. Por ordem de Maduro, os militares custodiavam os 6 corpos que seriam cremados sem autorização das famílias, e exigiam que essas pessoas assinassem um documento confirmando a identidade dos mortos. Não conseguindo esse objetivo, pela interferência do advogado, a ditadura proibiu que se fizessem velórios e sepultamentos como as famílias desejavam. Os cemitérios foram fechados e apenas um ou dois parentes de cada vítima teve direito de comparecer ao sepultamento. Os corpos foram enterrados em cemitérios distantes do domicílio dos falecidos e em local ermo, de modo a que mais tarde não se possa localizá-los.


No dia seguinte, a casa onde estavam entrincheirados foi bombardeada [1º vídeo] de modo a não deixar qualquer evidência do massacre. Das pessoas que moravam lá não se teve notícia. A imprensa foi proibida de tomar conhecimento do que ocorreu com aquelas mulheres e crianças que viviam ali. Num comunicado em rede de televisão, Maduro afirmou que a operação para “desarticular uma célula terrorista” havia sido “exitosa”. Dentre as vítimas estava Lisbeth Ramírez Mantilla, casada com um dos companheiros de Pérez que estava grávida. Seu bebê foi baleado em seu ventre e também morreu, mas para a ditadura e a imprensa conivente ele não conta, ainda “não era gente”…


No dia do massacre a repercussão internacional foi estrondosa. Passadas duas semanas, não se fala mais nada e seus autores continuam impunes! Esse ato desumano feriu a Constituição da Venezuela, o Código Penal Militar, a Convenção de Genebra, o Direito Internacional Humanitário e o mais primário de todos os direitos: o direito natural à vida.


Para encobrir todo esse rastro de sangue, Maduro e sua ilegal Assembléia Nacional Constituinte decidiram antecipar as eleições presidenciais de dezembro para abril próximo, e os organismos internacionais com os quais a Venezuela tem tratados não tomam uma medida para pôr um ponto final em tanta barbárie. Onde estão as pessoas de bem desse mundo? Onde se escondem os juízes justos? Urge, clama aos céus uma ação enérgica por parte da Corte Penal Internacional!


Notas: