A EXPANSÃO ISLÂMICA NA AMÉRICA LATINA
 

 

Colômbia: o que acontece depois de descobrir o terrorismo islâmico no país?

Felipe Fernández

As autoridades da Colômbia capturaram Raúl Gutiérrez Sánchez, de 43 anos e nacionalidade cubana, que provavelmente planejava praticar um ato característico de terrorismo islâmico contra 29 diplomatas da embaixada americana na cidade de Bogotá. Uma comunicação de Gutiérrez, entregue pela Promotoria Geral da Nação, com vários cidadãos marroquinos identificados como Matin Muhanad, Said Samuid e Francisco Quintana, provaria os vínculos do cubano com o Estado Islâmico (EI). Gutiérrez, que teria entrado de maneira ilegal no país em várias ocasiões, tinha como objetivo se imolar em nome desde grupo terrorista.

A Promotoria soube que o atentado estava programado para ser perpetrado no passado 6 de março na capital do país, entretanto, este não pôde se concretizar. Em razão deste fato, o PanAm Post consultou experts no tema sobre a possível ingerência do terrorismo islâmico no país e a presença deste tipo de grupos na América Latina. Jaime Luís Zapata, internacionalista e especialista em análises do terrorismo jihadista, disse que o interesse desta organização radical na América Latina começou desde que militares latino-americanos foram combater no Iraque e Síria, e estabeleceram contato no momento de regressar a seus países: “Na hora do retorno se apresenta um problema com o tratamento e experiência em combate e terrorismo com os combatentes latino-americanos”.

Além disso, manifestou que esse tipo de entradas ilegais de pessoas e/ou organizações se executam pela debilidade das fronteiras da Colômbia. “O país compartilha uma fronteira ampla com a Venezuela e isto pode ser utilizado por este tipo de organizações um controle migratório fraco também reforça a entrada”. O expert explicou que o cidadão cubano capturado vinha do Equador, e era a terceira vez que entrava no país. Por que terrorismo islâmico em Bogotá e não em outras cidades? Bogotá é a terceira cidade mais povoada da América Latina. Além disso, os bogotanos co-habitam com uma quantidade de cidadãos de outras regiões do país e do mundo, é uma cidade cosmopolita. Zapata disse que a Colômbia não está preparada para este tipo de ameaças, “é um alvo fácil”, e acrescentou: “Bogotá tem uma relação de pé de força policial à população muito pobre”.

Frente à presença deste grupo de organizações terroristas provenientes do Oriente Médio, o especialista descartou que existam redutos na América Latina, entretanto, assegurou que na região já se apresentaram experiência de ataques, como o da embaixada de Israel na Argentina, ataque apoiado pelo Irã e perpetrado pelo Hezbolah. “É diferente o terrorismo feito por membros do EI do feito por membros do Hezbolah. Estes últimos são de natureza shiita e têm um jihadismo muito mais local e nacionalista. Seu objetivo é expulsar o colono. A natureza do EI, ao contrário, é em geral somente expulsar o invasor e reconquistar o califato. Isto implica o sul da Europa e norte da África, é um projeto expansionista, imperial”, disse. Acrescentou, ademais, que o provável ataque contra os diplomatas americanos não é próprio de uma estrutura hierarquizada e centralizada como o Al-Qaeda, mas que este tipo de atos operam em um nível de resistência sem líderes.

“Têm a forma de células descentralizadas ou ataques de lobos solitários, não contam com apoio nem financiamento, senão que são pessoas que são inspiradas na ideologia jihadista e por seus próprios meios desejam fazer este tipo de ataques”. Finalmente, o expert assinalou que a situação de segurança no país demonstra uma fragilidade que serve como aliciante para estabelecer redes de contato com as guerrilhas ou crime organizado para questões de financiamento, apoio e controle de rotas para levar a cabo atos terroristas.

Para Eduardo Mackenzie, jornalista colombo-francês e expert em conflito armado, o ocorrido é um passo a mais na escalada do terrorismo na Colômbia. “Me dá a impressão de que se trata de uma operação do islamismo radical. Entretanto, é difícil saber se é um ramo do ISIS ou se é algo do Al-Qaeda. A imprensa parece inclinar-se por ISIS, porém faltam muitos detalhes”. Mackenzie se pergunta se as autoridades puderam estabelecer de onde saiu o cidadão cubano: “Eu só posso me permitir algumas especulações. Por exemplo: Esse tipo vem da Venezuela? Cruzou a fronteira da Colômbia com o fluxo de refugiados venezuelanos? Se é esse o caso, não me estranharia. Foi assim como vários terroristas islâmicos entraram na França antes de perpetrar suas matanças”. O fato de que Raúl Gutiérrez seja cubano merece uma reflexão, disse: “Este indivíduo fazia parte dos refugiados cubanos que estão entrando na Colômbia desde há dois ou três anos, e que afirmam que estão tratando de ir para a América Central, para um dia passa na fronteira norte-americana? São dados que faltam para fazer um diagnóstico mais completo”, afirmou.

Presença do Hezbolah na América Latina

Por outro lado, John Marulanda, expert em segurança e defesa, precisou que de modo particular o Hezbolah encontra-se muito afincado na América Latina. “Desde há uns 20 anos, graças a abertura que o governo Chávez fez ao governo do Irã, encabeçado pelo presidente Ahmadinejad. Esta abertura incluiu tratados comerciais, proliferação de centros culturais iranianos e de diplomáticos junto com integrantes do Hezbolah, grupo terrorista criado e sustentado pelo Irã”.

Marulanda enfatizou que desde então o Hezbolah encontra-se adiantando atividades de inteligência e econômicas relacionados com o narco-tráfico: “A Colômbia é um local preferente para eles, quanto à localização e ligação com os diferentes cartéis de drogas para obter recursos que ascendem a US$ 200 milhões mensais”. Ele assegurou que fora do Oriente Médio, a América do Sul é o maior centro de atividades desde então.

Há três focos na América Latina deste tipo de organizações: Ilha Margarita, na Venezuela, a famosa Tríplice Fronteira entre Argentina, Uruguai e Brasil, e finalmente em Maicao, fronteira colombo-venezuelana. O expert assinalou que diferentes agências norte-americanas identificaram a presença de células extremistas operando na América Latina. “Em 2008, Condoleezza Rice denunciou que havia provas entre a guerrilha das FARC e o Hezbolah. No ano passado o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos demonstrou que um assessor das FARC, junto com o vice-presidente da Venezuela Tareck El Aissami, estavam lavando grande quantidade de dinheiro desta organização no Panamá, através de uma companhia com a assessoria de advogados do Panamá Papers”.

Tradução: Graça Salgueiro