COLOMBIA: DESAFIOS DO NOVO GOVERNO
 

 
Desafios políticos para o próximo governo colombiano


*Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido


A partir de 7 de agosto de 2018, o novo governante dos colombianos enfrentará uma série de desafios geo-políticos atados ao desenvolvimento e a defesa nacional que, por não ter sido vistos de maneira integral ao longo da acidentada história do país, fizeram metástase, com a circunstância agravante de que, a julgar pelas propostas de quase todos os atuais candidatos presidenciais, não se está dando o enfoque de resposta estratégica integral em geo-política, a um acumulado de problemas estratégicos integrais em geo-política.


Com exceção do curso de Altos Estudos de Defesa Nacional da Escola Superior de Guerra e alguns aspectos que se tratam de maneira parcial nos mestrados de algumas universidades, é evidente que a Colômbia carece de objetivos nacionais compartilhados, que foi impossível consolidar um só plano quatrienal de desenvolvimento nacional que, por politicagem e intrigas demagógicas jamais foram uma lei de defesa nacional consistente, que não há clareza nem concepção geo-política acerca da projeção nacional no entorno regional e mundial, e que pela dinâmica das relações civis-militares, nem os militares sabem de política, nem os politólogos sabem de defesa nacional.


Tais realidades confluiriam em uma trilogia sociológica de enorme incidência na escassa projeção geo-política do país, em que pese sua privilegiada posição geo-estratégica. Desde a independência da Espanha e o nascimento como república com imperfeita democracia, a Colômbia sustentou-se no entorno como imperfeito Estado-nação, primeiro graças ao sacrifício de suas Forças Militares, segundo à criatividade dos poucos empresários privados que se atrevem a inovar para gerar riqueza, e terceiro à "bondade e indiferença compartilhadas pelo povo colombiano", que suporta tudo e como na antiga Roma é enrolado com o pão do populismo que quer prolongar a sem-vergonhice e o circo do futebol, os concursos de miss, os êxitos de algum cantor, ou a patriotada oportunista de vez em quando.


Após a ânsia de um espúrio e desnecessário Prêmio Nobel da Paz para o país, o veleidoso presidente Juan Manuel Santos comprometeu o destino geo-político do país aos arbítrios de narco-traficantes e terroristas comunistas possuídos de uma mentalidade paquidérmica, frente à evolução do mundo e do rol que por sua posição geo-estratégica somada ao talento humano, poderia jogar a Colômbia na América Latina e no resto do planeta.


Produto deste gravíssimo erro histórico cujas profundas conotações geo-políticas serão vistas e permanecerão por vários anos, as FARC acabaram apropriadas do controle "social" para o "justo protesto social" no Hinterland, quer dizer, da periferia territorial colombiana com óbvia intenção de se fortalecer lá e a médio prazo avançar para o Heartland, quer dizer, os centros de poder econômico, político, social e cultural do país, que segundo o plano estratégico do grupo terrorista concentra-se em 30 cidades.


Basta olhar um mapa do país onde se localizam os cultivos de coca, os laboratórios de processamento do alcalóide, os focos de mineração ilegal, a localização das zonas veredais transitórias que por ordem de Timochenko a Santos acabaram sendo focos de expansão comunista permanente, a localização da cooperativa Ecomún e outras concessões gratuitas à guerrilha comunista, para compreender que nem as FARC renunciaram ao Plano Estratégico para a tomada do poder por meio da combinação de todas as formas de luta, nem a direção política ou o chamado establishment, compreenderam a dimensão do que se tecia por baixo da mesa.


Por localização geográfica e projeção geo-política, essas zonas de altíssima influência dos "movimentos sociais" das FARC estão situadas em todas as zonas fronteiriças, com particular influência das fronteiras binacionais com Equador e Venezuela, países cujos governos esquerdistas desde há várias décadas foram cúmplices descarados dos grupos terroristas colombianos, pela simples razão de que compartilham a mesma ideologia totalitária e desejam ver a Colômbia no redil da miséria derivadas da ditadura castrista e os ditados anti-capitalistas do Foro de São Paulo.


Uma vez mais, os dirigentes políticos para os quais a defesa nacional, a estratégia de segurança nacional e a geo-política da Colômbia nunca foram temas importantes, para desde seu enganoso ponto de vista não levar o país ao "militarismo", continuam pensando que as FARC já saíram do cenário, que os escassos 50.000 votos nas eleições parlamentares são o reflexo do rechaço popular e que, evidentemente, os politiqueiros de sempre continuarão imersos na corrupção crescente, as promessas de casas no ar e o desconhecimento de sempre pelas comunidades que os elegem, porque para eles existem umas forças militares e de polícia que eternamente e como consequência do baixo nível intelectual e acadêmico de muitos de seus integrantes, estarão prestes a defender a "democracia" dos intocáveis.


Ante tal realidade, o terrorista desmobilizado do M-19, Gustavo Petro, cooptou amplos nichos de jovens e estudantes universitários ou desempregados que desconhecem seu prontuário e o do grupo terrorista no qual militou. Assim, em certa forma repetem-se por miopia geo-política da direção colombiana, os cenários da década de 1960 e 1970, quando o Partido Comunista e seus braços terroristas FARC, ELN, M-19, EPL, PLA, ADO, Quintín Lame, etc., reivindicaram a luta armada com quadros e guerrilheirada saída da Juventude Comunista, porém, claro, sempre negada pelos camaradas da cidade. Dupla moral que poderia começar a se repetir, dado o enfoque errado que se continua dando à solução do problema.


De suborno, a eventual imersão às guerrilhas comunistas por parte de muitos jovens adestrados pela esquerda recalcitrante e a propaganda de vítima que Gustavo Petro faz, algo que poderia se repetir agora, somou-se na década dos anos 80 o fortalecimento dos cartéis da droga, que terminaram untados e confundidos em muitos casos com as FARC, o M-19 e depois no ELN e os remanescentes do EPL.


Este ponto é crucial. Depois das imposições das FARC a De la Calle, Mora, Naranjo e os demais convidados de pedra em Cuba, o grupo terrorista se apropriou do controle geo-humano, geo-econômico, geo-social, geo-político e geo-estratégico das zonas cocaleras, desviou a atenção sobre a mineração ilegal, fortaleceu os corredores de tráfico de imigrantes ilegais, e incrementou a imersão na produção e envio de cocaína, manteve o controle estratégico das zonas veredais e pontos de normalização, dirigiu a seu bel prazer a dinâmica do "pós-conflito" e sem ceder nada diferente a entregar a questionados funcionários da ONU, algumas armas cujas qualidades e quantidades continuam sendo duvidosas.


Vista essa realidade objetiva, sem passionalidades geo-políticas nem julgamentos ao governo Santos que tampouco entendeu a lei elementar da guerra, que é a de derrotar a estratégia do adversário, ficam sobre o tapete desafios geo-políticos internos que urgem solução para integrar as regiões eternamente afastadas do conjunto de políticas nacionais, construir tecido social unitário onde precisamente os comunistas armados e desarmados da mão do narco-tráfico pretendem instaurar republiquetas independentes afins ao socialismo do século XXI, fortalecer a presença integral do Estado nas fronteiras, combater o narco-tráfico com ações integrais, descentralizar os serviços básicos e chegar com soluções que integrem o país, não que o continuem desagregando, para satisfazer o apetite voraz dos politiqueiros de famílias intocáveis na zona andina e de quebra, o Plano Estratégico das FARC e os demais comunistas


Tudo isso prolonga a violência e impede o desenvolvimento harmônico da nação, debilita sua defesa nacional, mantém as zonas fronteiriças no esquecimento e multiplica todas as formas de delinqüência. Na ordem internacional, a Colômbia tem vários desafios complexos a partir do próximo governo, pois o que se vai só deixa problemas, auto-publicidade e um pobre balanço geo-político do desempenho da atarraxada chanceler María Ángela Holguín, cujo pobre trabalho limitou-se a servir de chefe de relações públicas da ilimitada vaidade propagandística do presidente Santos no exterior, sem nada que mostrar a favor da defesa nacional e na integridade territorial vulnerada em 2012 em Haya.


A Colômbia requer fazer soberania no meridiano 82, para que as águas territoriais do mar do Caribe com seus recursos imersos continuem sendo do país, não da Nicarágua, cuja atitude bandoleira em Haya conseguiu uma espúria sentença a favor de Manágua. O primeiro passo dessa soberania será dar posse ao comandante da Armada Nacional a bordo de uma fragata no meridiano 82 e, a partir desse dia, patrulhar com naves de guerra as águas territoriais nos oceanos Pacífico e Atlântico, que a nenhum governo, seja vizinho ou ultramarino, se lhe ocorra a estúpida idéia de expoliar território colombiano ou de agredir nossos pescadores. Portanto, San Andrés e Providencia devem ser integradas de maneira efetiva ao projeto de país.


Está na hora de definir limites pendentes com a Venezuela e pôr um "deixa-disso" nas eternas agressões da guarda venezuelana contra os colombianos, ultrapassando violentamente a fronteira. Não mais notas de protesto que com certeza são vistas com desdém e deboche pela chancelaria em Caracas, pois sabem que "cão que ladra não morde". É necessário tomar atitudes contundentes nas instâncias internacionais com demandas específicas e o lobby que for necessário. Nesse sentido, não se necessitam embaixadores e cônsules passeadores, senão colombianos que defendam seu país e sirvam de algo para os compatriotas no exterior. Menos auto-publicidade mentirosa nos consulados e mais ação a favor da Colômbia.


Está na hora de falar claro com os governos vizinhos para atacar e destruir todos os santuários que os grupos terroristas colombianos têm do outro lado das fronteiras nacionais. E por extensão, devem-se estabelecer prazos com o ELN para que se entregue, e com as FARC e demais sócios mascarados de pacifistas para que sejam claros com as supostas dissidências, o apadrinhamento ao ELN, ao EPL e o cordão umbilical com o narco-tráfico.


Está na hora de promover o comércio exterior como regra de ouro na expansão geo-política. Para nenhum geo-politólogo é segredo que grandes avanços da humanidade e a conseqüente fortaleza integral de civilizações antigas e potências modernas gravitaram ao redor do comércio integrado a uma visão geo-política de integração tecnológica, inovação, educação, infra-estrutura, pois como se dizia no começo da era cristã, "todos os caminhos levam à Roma".


A Colômbia necessita de um governo que desenhe e desenvolva um plano estratégico sólido e prolongado no tempo, com objetivos geo-políticos orientados para favorecer a todas as comunidades em todo o território nacional. Não somente a favor dos interesse mesquinhos das elites dos sobrenomes de sempre, nem a favor do narco-terrorismo comunista, nem ao populismo de Petro, Fajardo e Mockus. A Colômbia necessita de um governo dirigido por estrategas geo-políticos com visão integral e resultados geo-políticos a favor de todos os colombianos. Talvez isso colabore para erradicar o câncer da corrupção e, portanto, a ter um país melhor para todos os colombianos, sem exceção.


* Presidente do Centro de Geo-política Colômbia. www.luisvillamarin.com 


Tradução: Graça Salgueiro